Colocações pronominais – Aposto e vocativo

Dando continuidade aos nossos artigos sobre a gramática da língua portuguesa, trataremos hoje de três termos da oração, que são frequentemente confundidos na análise sintática de uma oração. São eles: sujeito, aposto e vocativo.

Antes de começarmos a abordar o aposto e vocativo, bem como suas particularidades, é preciso retornar a uma noção básica: o sujeito de uma oração. Este é um dos termos essenciais de uma oração, responsável pela ação expressa pelo verbo, podendo praticar e/ou sofrer ação, conforme o verbo esteja na voz ativa, passiva ou reflexiva.

Além disso, é importante ressaltar as discussões a respeito das colocações pronominais, próclise, ênclise e mesóclise, e as metarregras de repetição, de progressão e de coerência.

Outro aspecto gramatical que já foi discutido, diz respeito às figuras de linguagem. Há vários tipos de figuras de linguagem, dentre elas as figuras sintáticas ou de construção, onomatopeia e polissemia. Soma-se à essas, a análise feita sobre o neologismo na língua portuguesa e sobre o neologismo na língua portuguesa.

Aposto

É um termo acessório da oração que explica, esclarece, desenvolve ou resume outro termo da oração. Trata-se de um substantivo ou expressão substantiva que se refere a outro substantivo. O termo ao qual o aposto se refere chama-se fundamental.

Geralmente, o aposto vem isolado por sinais de pontuação: vírgula, dois pontos ou travessão. Convenciona-se dividir o aposto em sete tipos, de acordo com o termo a que se refere:

a) Aposto Explicativo: explica ou esclarece o substantivo referido.

João, meu colega de trabalho, mudou-se para a Europa.

Machado de Assis, o maior escritor brasileiro, morreu na cidade do Rio de Janeiro.

b) Aposto Resumitivo ou Recapitulativo: resume em um substantivo ou pronome substantivo os termos mencionados anteriormente.

Bebidas, jogos de azar, festas luxuosas, nada o satisfazia.

Comprei laranja, banana e maçã, tudo em oferta.

c) Aposto Enumerativo: enumera os termos citados anteriormente.

Para Miguel três coisas são importantes: família, religião e trabalho.

Comprei as ferramentas que faltavam para a reforma: martelo, pincel e furadeira.

 

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Você acha muito difícil entender os diferentes tipos de aposto? Não se preocupe, nós te ajudamos!

d) Aposto Comparativo: compara um termo da oração com algo.

Os olhos da onça, faróis na escuridão, aguardavam silenciosamente sua presa.

A criança, um pequeno general, manda nos seus pais.

e) Aposto distributivo: distribui informações de forma separada de termos da oração.

Manuel Bandeira e Lima Barreto são dois grandes escritores brasileiros, aquele na poesia e este na prosa.

Chico Buarque e Hermeto Paschoal são dois talentosos músicos brasileiros, aquela na música popular brasileira e este na música instrumental.

f) Aposto restritivo ou especificativo: individualiza um substantivo de sentido genérico, geralmente valendo-se de nomes próprios; apresenta-se sem sinais de pontuação.

Ele foi contemporâneo do cineasta Glauber Rocha.

Houve uma manifestação na Avenida Paulista.

OBSERVAÇÃO: Tenha cuidado para não confundir o aposto restritivo (ou especificativo) com adjunto adnominal.

A obra de Machado de Assis é símbolo da cultura brasileira.

Nessa oração, o termo em destaque tem a função de adjetivo: a obra machadiana. É, portanto, um adjunto adnominal.

g) Aposto de Oração ou Oração Subordinada Substantiva Apositiva: ocorre quando uma oração se encontra sintaticamente dependente de outra e apresenta valor apositivo.

Clarice disse que não quer mais escrever, fato que me deixou um pouco preocupada.

Ela agiu com muita firmeza, o que deixou os seus sócios intrigados.

Vocativo

É o elemento (palavra ou expressão) de natureza exclamativa que se emprega na oração quando chamamos por alguém, ou quando nos dirigimos a uma pessoa ou coisa.

O vocativo não pertence à estrutura da frase. Elemento afetivo por excelência, não desempenha qualquer função sintática, sendo analisado à parte.

O vocativo se refere sempre à segunda pessoa do discurso. Reconhece-se o vocativo pela entonação exclamativa com que o enunciamos. O vocativo pode estar no início, no meio ou no final da oração, sempre isolado pelos sinais de pontuação.

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O vocativo é a expressão utilizada pelo falante para se dirigir ao interlocutor.

Exemplos:

-Não fale palavrão, Bruno!

-Senhora presidenta, reivindicamos melhorias sociais e econômicas.

-Menino, não atravesse a rua sem olhar para os dois lados!

-Amor, você trouxe o que eu te pedi?

O vocativo também pode vir antecedido por interjeições de apelo, tais como “ó”, “olá”, “é!” etc.

Exemplos:

Deus, ouve nossas súplicas!

-Olá professor, o senhor parece muito cansado hoje!

pessoal, precisamos nos dedicar mais ao trabalho.

Rita, por que você não viaja para visitar seus pais?

A pontuação e o vocativo

Observe que, além de vir separado por vírgulas ou travessão, o vocativo também se isola pelo ponto de exclamação. Eis alguns casos:

-Soldados! Ouçam as instruções para a batalha.

-Proletários do mundo! Uni-vos.

-Camaradas! Ó Camaradas! A revolução virá e garantirá não só o pão, mas também a poesia.

Meu joelho sempre deu trabalho, seu doutor!

Diferenciando aposto e vocativo

O vocativo não mantém relação sintática com outro termo da oração, enquanto o aposto mantém relação sintática com outro termo da oração. Observe os exemplos a seguir:

-Crianças, vamos entrar. Está na hora do jantar! (vocativo)

-Leonardo, está tarde. Termine seus quadros amanhã. (vocativo)

-Fernanda, me deixe em paz. (vocativo)

-A vida de Maomé (sujeito), grande profeta (aposto), foi contada em uma biografia a ser lançada este ano.

-Lucas Silveira (sujeito), vocalista da banda Fresno (aposto), escreveu um livro.

-Davi (sujeito), que estuda História (aposto), passou em um concurso público.

Neste artigo você aprendeu sobre aposto e vocativo e percebeu o quanto esses artifícios podem ser úteis na hora de redigir seu texto! No próximo post falaremos sobre o emprego da crase. Não deixe de conferir!

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