Conheça as metarregras de coerência

No post de hoje nós falaremos sobre metarregras de coerência.  As metarregras foram enunciadas pelo linguista francês Michel Charolles em 1978 e são pequenas dicas de estilo para que você consiga passar uma mensagem através de um texto sem problemas.

Trataremos especificamente da metarregra de não contradição e da metarregra de relação. Vale ressaltar que já discutimos mais profundamente sobre as metarregras de repetição, de progressão, além de outros temas gramaticais de extrema importância, na hora de redigir um texto, como as colocações pronominais, aposto, vocativo, próclise, ênclise e mesóclise.

Além desses aspectos gramaticais, há outros que devem ser levados em conta, para escrever um bom texto. Dentre eles, temos as figuras de linguagem, sendo elas as figuras sintáticas ou de construção, onomatopeia e polissemia. Soma-se à essas, a análise feita sobre o neologismo na língua portuguesa e os tipos de sujeitos existentes na oração.

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As metarregras de coerência garantem que todos os elementos do seu texto funcionam perfeitamente juntos.

Metarregras de coerência

Metarregra de não contradição

O teórico Michel Charolles expôs um enunciado pra apresentação de cada metarregra.  Vamos começar pela metarregra de não contradição. O enunciado de Charolles é “Para que um texto seja microestruturalmente ou macroestruturalmente coerente, é preciso que no seu desenvolvimento não se introduza elemento semântico” – ou seja, um elemento produtor de sentido – “que contradiga um conteúdo posto ou pressuposto por uma ocorrência anterior, ou deduzível desta por inferência”.

Ora, o que significa isso? Não se deve, em hipótese nenhuma, se afirmar algo num determinado trecho, e em seguida ir contra essa afirmação.

Um exemplo, de um texto de um aluno do nono ano do ensino fundamental: “Atualmente, a TV vem organizando e desorganizando a vida de muitas pessoas. Há inúmeras pessoas que estão mais ligadas num mundo irreal, do que no mundo real, muitas pessoas não trabalham, não estudam mais, pois não querem perder aquela novela que gostam ou aquele reality show. Isso não passa de uma influência.”.

O redator faz uma série de verificações a respeito da natureza do programa televisivo e também da atitude do espectador diante da programação. Ele tenta fazer uma análise de um e de outro, do programa e dessa atitude e, no entanto, ele acaba por concluir apenas que o efeito não passa de uma influência.

Nós temos aqui aquilo que chamamos de ‘inadequação vocabular’. O autor do texto usa mal o vocábulo “influência”. Este é um tipo de contradição que deve ser evitada: afirmar e, em seguida, ou num momento mais a frente do texto se contradizer em relação àquilo que foi afirmado.

Metarregra de relação

“Para que uma sequência ou texto sejam coerentes, é preciso que os fatos que se denotam no mundo representado estejam relacionados”.

Mas o que significa isso? O texto precisa ter a capacidade de representar os tais fatos referidos nesse enunciado. Que fatos são esses? Quaisquer, os fatos do cotidiano, fatos históricos, os seus objetos e suas situações.

O mundo do texto não é exatamente igual ao mundo concreto, é sim um mundo recriado. Mesmo assim, segundo o que se defende aqui nessa metarregra, é preciso que o texto seja capaz de representar esses fatos, essas situações, objetos e personagens.

Por exemplo: “Reunidos antes por um gracejo – o acrônimo remete à palavra inglesa ‘brick’ ou tijolo – Brasil, Rússia, Índia e China, e mais tarde África do Sul, têm expressivas diferenças econômicas, culturais e políticas entre si. Em uníssono, no entanto, postulam maior influência em entidades globais, como o FMI”.

Este é um trecho de um editorial da Folha de São Paulo no qual já se percebia referência a esse acrônimo. De que modo essa metarregra de relação teria sido obedecida pelo redator desse editorial? Veja que nomes de países como Brasil, Rússia, Índia e China, depois África do Sul, são entidades, situações externas ao texto, mas representadas no texto.

Somos capazes de dizer exatamente a quê esse redator se reporta. Assim como expressões como o FMI, Fundo Monetário Internacional, essa outra sendo uma entidade bancária, é também uma realidade que está fora do texto, mas trazida para o interior dele, se colocando assim como uma espécie de marca, percebida e entendida pelo leitor.

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Você terá de organizar vários pensamentos no seu texto. Atenção para as metarregras de coerência: não se contradiga!

Resumindo

Vamos fazer um resumo de tudo o que vimos até aqui. Coerência é uma forma de se produzir sentido, aliás, não é apenas uma forma, é uma condição. Os textos, obrigatoriamente, precisam ter coerência pra funcionar.

Em determinadas circunstâncias todos os textos são portadores de sentido. O sentido, devemos sempre salientar, é uma espécie de contrato entre aquele que escreve e aquele que lê. É preciso que determinados princípios participem desse contrato.

Há quatro metarregras, segundo o teórico Michel Charolles:

Metarregra de repetição: você deve repetir determinados elementos linguísticos como palavras, por exemplo, sem, no entanto, exagerar nessa repetição. Como evitar a repetição? Substituindo palavras, indo em busca de sinônimos, lançando mão de um recurso linguístico chamado ‘elipse’, ou seja, determinada palavra fica subentendida.

Metarregra de progressão: talvez a mais perfeitamente compreendida, porque tem a ver com a capacidade que você precisa demonstrar como redator: você precisa ter a capacidade de demonstrar que de fato o seu texto avança.  Ou seja, a cada momento você terá de inserir uma informação nova, senão o seu texto não anda.

Metarregra de não contradição: não afirme algo em um determinado trecho e depois caia em contradição. Se você fizer isso, você acabará confundindo o seu leitor a ponto de fazê-lo perguntar “Afinal de contas, ele defende ou nega essa ideia?”.

Metarregra de relação: ela tem a ver com essa necessidade de você trazer aquele mundo exterior pra dentro do seu texto, demonstrando sua capacidade de representá-lo. Fatos, situações quaisquer, personagens, postos no mundo exterior precisam ser captados ou representados pelo seu texto.

Em um post futuro, falaremos mais detalhadamente sobre as metarregras de progressão e de repetição. Com essas dicas e prática, seu texto irá melhorar em todos os aspectos, especialmente a estrutura textual, “coluna vertebral do texto”.

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