A estrutura das palavras

Para descobrir o significado de alguma palavra que encontramos pela primeira vez, o mais natural é recorrer a um dicionário. No entanto, não é sempre que temos um dicionário à mão.

Por isso, saber um pouco sobre a origem e estrutura das palavras pode ser muito útil. A língua portuguesa recebeu influências de diversas outras línguas. É uma língua derivada do latim, mas tem influências gregas, árabes, europeias, dos índios brasileiros e até mesmo, mais recentemente, dos norte-americanos.

As palavras não são os menores elementos de uma língua. Elas ainda podem ser divididas em partes menores, estas sim indivisíveis, e chamadas de elementos mórficos.

Conhecer um pouco sobre os elementos mórficos, suas origens e significados, e a maneira como eles são organizados para criar as palavras nos ajuda a enriquecer o nosso vocabulário, inferir significados e até a criar novos termos para nos expressarmos.

A maneira como nos expressamos, aliás, deve ser levada muito a sério, para que a transmissão da mensagem seja feita de forma objetiva e clara. Por isso, já discutimos melhor sobre as funções da linguagem no blog. Vale a pena dar uma olhada!

Principais elementos da estrutura das palavras: radical e raiz

A raiz é o elemento principal onde está concentrado o significado da palavra. Apesar de ela, sozinha, não ser usada, é na raiz que está a essência da palavra. A partir da raiz serão acrescentados outros elementos que vão determinar gênero, número e grau da palavra.

Na conjugação do verbo “amar” no presente, temos:

Eu amo;

Tu amas;

Ele ama;

Nós amamos;

Vós amais;

Eles amam.

Vemos destacados os elementos comuns a todas as conjugações. Assim, a raiz do verbo amar e de palavras relacionadas, como “amor”, “amoroso” e “amante”, é “am”.

As palavras com o mesmo radical são chamadas de cognatas. Elas pertencem, portanto, à mesma família, e têm significados semelhantes. Mas é importante notar que há também os falsos cognatos, palavras que se parecem, mas têm significados – e radicais – distintos.

Há uma diferença primordial entre raiz e radical de uma palavra. A raiz é um elemento indivisível, mas o radical pode ser dividido. Há três tipos de radicais:

  • Radical primário: é a própria raiz. Por exemplo, na palavra “amigo”, o radical primário é a própria raiz da palavra, “am”.
  • Radical secundário: é a raiz junto de um afixo (prefixo OU sufixo). Por exemplo, na palavra “esquina”, o radical secundário é “esquin”.
  • Radical terciário: é a raiz junto de dois afixos (prefixo E sufixo). Por exemplo, na palavra “amadurecer”, o radical terciário é “amadurec”.

Afixos e tipos de derivação na estrutura das palavras

Os afixos transformam palavras primitivas em palavras derivadas.  Eles normalmente não podem ser utilizados sozinhos, e modificam o significado das palavras. Há dois tipos de afixos:

  • Prefixos: vêm antes do radical. Ocorre então uma derivação prefixal ou prefixação.
  • Sufixos: vêm depois do radical. Ocorre então uma derivação sufixal ou sufixação.

Quando há o acréscimo de ambos, prefixo e sufixo, ocorre a chamada derivação parassintética ou parassíntese.

Tomemos como exemplo a palavra primitiva “feliz”. A partir dela, podemos acrescentar afixos e criar palavras derivadas como:

Infeliz: foi acrescido o prefixo “in”, que geralmente indica negação.

Felizmente: foi acrescido o sufixo “mente”, que transformou o adjetivo feliz em um advérbio de modo.

Infelicidade: foram acrescidos o prefixo “in” e o sufixo “ade”.

A derivação sufixal pode ainda ser dividida em três:

  • Derivação sufixal nominal: dá origem a um substantivo.
  • Derivação sufixal verbal: dá origem a um verbo.
  • Derivação sufixal adverbial: dá origem a um advérbio.

Utilizando-se a palavra primitiva “atual”, por exemplo, podemos obter três palavras derivadas por derivação sufixal: atualização (substantivo), atualizar (verbo) e atualmente (advérbio).

Para que haja a derivação parassintética ou parassíntese, é necessário que sejam acrescentados um prefixo e um sufixo simultaneamente. Assim, a palavra “emudecer” (ato de tornar-se mudo) é fruto de derivação parassintética, pois ao radical “mud” foi adicionado o prefixo “e” e o sufixo “ecer”.

No entanto, atente para que outras palavras, como “desvalorização”, não são frutos de derivação parassintética. “Desvalorização” deriva de “desvalorizar”, que por sua vez deriva de “valorizar”, que por fim deriva de “valor”. É uma palavra cuja origem pode ser dividida em etapas.

A palavra “emudecer” não pode ser dividida em etapas, pois nem “emud” nem “mudecer” são vocábulos com significado próprio.

Também temos a derivação regressiva, que acontece quando são retirados elementos da palavra original. Isso pode ser observado nos casos de substantivos que denotam ação e são derivados de verbos. Assim, “compra” é derivado do verbo “comprar” e “agito” é originado a partir do verbo “agitar”. “Compra” e “agito” podem ser classificados como substantivos deverbais.

Por último temos a derivação imprópria. Ela se dá quando a palavra não muda sua composição, mas tem sua classe gramatical alterada dentro de uma frase. Por exemplo:

“Não pude ir ao jantar de despedida”: originalmente, “jantar” é verbo, mas aqui aparece como substantivo.

“Foi investigado por ter funcionários fantasmas”: originalmente, “fantasmas” é substantivo, mas aqui assume o papel de um adjetivo.

“O menino alcançou um grande feito”: originalmente, “feito” é um verbo no particípio, mas aqui foi empregado como substantivo.

estrutura das palavras

A língua portuguesa é falada em vários países. Conhecer a estrutura das palavras nos ajuda a comunicar e entender povos de diversos locais.

Mais sobre a estrutura das palavras: desinência verbal e nominal

Desinência Verbal

As desinências verbais são, como diz o nome, exclusivas dos verbos. Elas indicam as flexões de tempo, modo, número e pessoa. Por isso, uma palavra pode ter mais de uma desinência verbal. Por exemplo:

  • “compro”: “compr” é a raiz e “O” a desinência. Esta é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está conjugado na primeira pessoa do singular (eu).
  • “comprava”: “a desinência é “va”. É uma desinência modo-temporal, pois indica que o verbo está no pretérito perfeito (tempo) do indicativo (modo). Fora do contexto, “comprava” pode se referir tanto à primeira quanto à terceira pessoa do singular.

Desinência Nominal

As desinências nominais indicam o gênero e o número dos substantivos e adjetivos, sendo assim, de extrema valia, entender esse tópico da estrutura das palavras. Uma palavra também pode ter mais de uma desinência nominal.

A regra geral é que as palavras masculinas terminam em “o”, as femininas terminam em “a” e as no plural terminam em “s”.

Há, entretanto, algumas exceções. Alguns nomes de animais, por exemplo, não aceitam flexões para masculino e feminino, como “onça” e “jacaré”. Para estes animais, é comum usar as palavras “macho” e “fêmea” para designar o gênero.

Existem também palavras que não admitem desinências. Entre elas podemos citar “mesa” e “tribo”, que podem ser usadas apenas no feminino, e “ônibus” e “lápis” que não admitem flexão de número.

Vogal temática

Sobretudo nos verbos, é comum a colocação de uma vogal temática entre a raiz e a desinência para melhorar a pronúncia e preparar a raiz para receber a desinência.

Exemplo: “amava”: “am” é raiz, “va” é desinência verbal, e a letra A serve como vogal temática.

Apenas as letras A, E, I podem ser usadas como vogais temáticas. A raiz mais a vogal temática formam o tema. Ainda usando o exemplo acima, o tema da palavra “amava” é “ama”.

Vogais e consoantes de ligação

É muito comum que não seja possível adicionar a terminação de uma palavra sem torná-la impronunciável, ou ao menos de difícil pronúncia. As vogais e consoantes de ligação são, portanto, elementos sem significação, que sequer são considerados elementos mórficos, mas que ajudam na pronúncia.

Exemplo: “parisiense”: o radical é “paris”, o sufixo é “ense” e indica origem, adjetivo pátrio. A vogal I existe apenas para ligar os dois elementos

“Paulada”: o radical é “pau”, o sufixo é “ada” e indica golpe ou movimento. A consoante L existe apenas para ligar os dois elementos.

Composição das palavras

Um outro detalhe muito importante na estrutura das palavras esta relacionado com os radicais. É possível haver mais de um, em uma palavra. Os vocábulos assim são formados por composição, divididos em dois tipos:

  • Composição por justaposição: quando não há alteração fonética (de pronúncia) dos radicais. Exemplos: couve-flor, arco-íris, passatempo.
  • Composição por aglutinação: quando há alteração fonética dos radicais. Exemplos: aguardente (água+ardente), vinagre (vinho+acre), pontiagudo (ponta+agudo), embora (em+boa+hora).

Redução ou abreviação

Às vezes, por comodismo ou por hábito, falamos apenas parte da palavra e conseguimos ser entendidos perfeitamente. Isso acontece quando falamos “foto” em vez de “fotografia” e “moto” no lugar de “motocicleta”.

Mas há algumas palavras que são criadas a partir da redução ou abreviação e nós nem sequer damos conta, pois já estamos acostumados com a forma abreviada da palavra. Como exemplo temos “pneu”, redução de “pneumático”.

As siglas são formadas de maneira semelhante, mas pegando apenas as primeiras letras ou sílabas de um conjunto de palavras, como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Embratur (Empresa Brasileira de Turismo).

Onomatopeia

Na tentativa de reproduzirmos e traduzirmos sons para a língua portuguesa surgem as onomatopeias. Podemos citar, entre elas, adjetivos como “miau” e, mais comumente, verbos que designam os sons, como “zunir”, “piar” e “rugir”.

estrutura das palavras 2

Como uma língua viva, o português ainda está passando por modificações na estrutura das palavras.

Vale ressaltar que a onomatopeia é apenas um tipo de figura de linguagem. No entanto, já discutimos mais profundamente sobre outras figuras de linguagem, dentre elas a polissemia e as figuras sintáticas ou de construção. Todas tem sua devida importância no processo de estrutura das palavras.

Além disso, realizamos também abordagens profundas em temas gramaticais de extrema importância, para redigir um bom texto, como as colocações pronominais, aposto, vocativo, próclise, ênclise e mesóclise, e as metarregras de repetição, de progressão e de coerência.

Abordamos, ainda, outros aspectos gramaticais interessantes, como os tipos de sujeitos em uma oração e o neologismo na língua portuguesa.

Palavras de origem estrangeira

Vivendo em um mundo globalizado, nos deparamos cada vez mais com palavras de origem estrangeira, especialmente do inglês. Muitas vezes, o uso destes termos é tão rapidamente difundido que não há tempo para aportuguesar a palavra.

O verbo “deletar” vem do inglês, “delete”, e é um sinônimo de “apagar”, embora mais usado no contexto da tecnologia. O verbo foi aportuguesado e hoje é conjugado como qualquer verbo regular.

O aportuguesamento aconteceu durante toda a história da língua portuguesa. Assim, a palavra francesa “abat-jour” virou nosso “abajur” e até o brasileiríssimo “futebol” teve sua origem no “football” inglês.

Hoje, em especial com a difusão de novas tendências através das redes sociais, muitas pessoas começam a utilizar palavras estrangeiras sem adaptá-las ao português.

É por isso que não é raro ouvirmos em conversas palavras como “crush”, “bad” e “flop”. Elas podem te ser usadas e flexionadas como palavras comuns do português. Assim, já se observou falar “o crush” para se referir da pessoa de quem se gosta ou “flopada” para dizer de algo fracassado. Estas não são, entretanto, palavras que constam nos dicionários e talvez não sejam compreendidas por todas as pessoas.

Hibridismo, neologismos e gírias

Sendo o português uma língua com tantas heranças de outras línguas, não é de se espantar que algumas palavras sejam formadas por radicais originários de línguas diferentes. Este processo de formação de palavras é chamado de hibridismo.

A palavra “sociologia” é formada por “socio”, do latim, e “logia”, do grego. Por outro lado, “alcoômetro” é formada por “álcool”, do árabe, e “metro”, do grego.

O latim é uma língua morta, ou seja, não há mais modificações nos elementos que a compõem. O português, por outro lado, é uma língua viva, cujas palavras, seus usos e significados continuam a ser modificados pelos falantes da língua.

Estando em constante mudança, é natural que surjam novas palavras com frequência (neologismo léxico) ou sejam criados novos significados para palavras que já existem (neologismo semântico). Um escritor que usava muitos neologismos era Guimarães Rosa.

Os neologismos podem ser momentâneos, criados durante uma conversa na falta de um termo mais apropriado; transitórios, quando se espalham por outros grupos e começam a ser usados; ou permanente, quando é adicionada ao vocabulário de grande parte da população.

Um exemplo de neologismo semântico é o verbo “curtir”, que antigamente significava apenas colocar algo de molho em um líquido, geralmente salmoura, agora significa também “aproveitar”.

As gírias também se originam devido ao caráter vivo e mutável da língua portuguesa. Elas são palavras utilizadas de modo passageiro e impossíveis de se traduzir para outras línguas. A maioria das gírias cai em desuso após algum tempo, mas algumas são incorporadas permanentemente ao vocabulário.

A formação e estrutura das palavras é um tema muito vasto. Leia e pratique bastante, para que alcance resultados satisfatórios para seus futuros textos!

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