Figuras de linguagem – Elipse, zeugma e silepse

As palavras não são objetos concretos que só têm um uso prático possível. Elas têm vários significados, dependendo de sua posição na frase, e podem ainda ser utilizadas de maneira a melhorar ou destacar um termo.

Quando as palavras não são usadas em seu sentido denotativo, aquele que está no dicionário, se diz que elas são usadas no sentido figurado.

Há vários tipos de figuras de linguagem, e hoje vamos ver as figuras sintáticas ou de construção. Entretanto, já falamos sobre outras figuras de linguagem: onomatopeia e polissemia.

Além disso, já discutimos mais profundamente sobre outros temas gramaticais de extrema importância, para redigir um bom texto, como as colocações pronominais, aposto, vocativo, próclise, ênclise e mesóclise, além das metarregras de repetição, de progressão e de coerência.

Já tratamos também sobre outros aspectos da gramática, como os tipos de sujeitos de uma oração, o neologismo na língua portuguesa, a estrutura das palavras, bem como as funções da linguagem.

As figuras de linguagem sintáticas sacrificam um pouco da lógica da frase com o objetivo de realçar a expressividade dentro do seu texto. A ordem dos termos na frase, a concordância e mesmo a presença de algumas palavras não são como o leitor espera.

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É possível encontrar exemplos de elipse, zeugma e silepse em diversos textos literários.

Elipse

Ocorre quando há omissão de um ou mais termos que podem ser identificados facilmente na frase, geralmente analisando-se o contexto. A elipse é, portanto, o oposto do pleonasmo (repetição de um termo ou ideia).

A elipse é muito utilizada na construção de narrativas, quando termos são deixados subentendidos ou já foram mencionados antes e é necessário evitar a repetição. O uso da elipse num texto dá mais energia e poder sugestivo ao que foi escrito.

Exemplos de elipse:

  • “Na sala, apenas quatro ou cinco convidados” (Machado de Assis): no lugar da vírgula poderíamos ter verbos como “havia” ou “estavam”. Contudo, a frase é compreensível mesmo sem o verbo.
  • “Na rua deserta, nenhum sinal de bonde” (Clarice Lispector): no lugar da vírgula poderia estar “não havia”.
  • “Tão bom se ela estivesse viva me ver assim”. (Antônio Olavo Pereira): a frase completa ficaria como: “Tão bom (seria) se ela estivesse viva (para) me ver assim”. A omissão das duas palavras, entretanto, confere lirismo e romantismo à frase.
  • “Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas” (Rubem Braga): omissão do sujeito da frase, facilmente identificado como sendo “ela”, e também do verbo “usando / calçando” antes de “sandálias”.

Zeugma

É uma forma particular de elipse, que ocorre quando o termo omitido já foi mencionado anteriormente.

Exemplos de zeugma:

  • “Um deles queria saber dos meus estudos; outro, se trazia coleção de selos” (José Lins do Rego): omissão das palavras “queria saber”.
  • “A vida é um grande jogo e o destino, um parceiro temível” (Érico Veríssimo): omissão da palavra “é”. No lugar foi colocada uma vírgula para manter o sentido da frase.
  • “Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes” (Camilo Castelo Branco): omissão do verbo “foram”.
  • “Nosso céu tem mais estrelas

Nossas várzeas têm mais flores

Nossos bosques têm mais vida

Nossa vida mais amores” (Gonçalves Dias): na última frase o verbo “ter” foi retirado. A colocação da vírgula em seu lugar é opcional.

Lembre-se: toda zeugma é uma elipse, mas nem toda elipse é uma zeugma!

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Uma breve investigação é capaz de dizer qual palavra foi substituída na zeugma.

Silepse

Silepse é uma palavra que vem do grego e significa “compreensão”. Ela ocorre quando há uma concordância ideológica na frase.

Geralmente essa figura de linguagem apresenta uma quebra no que se espera das regras de concordância entre verbos e nomes, mas isso não significa que a frase está errada.

A silepse é uma concordância feita levando-se em consideração a ideia representada pelo termo, e não o termo em si. Algumas vezes a concordância é feita também com um termo subentendido.

Há três tipos de silepse:

  • Silepse de gênero: Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais masculino e feminino. Artigos definidos, indefinidos e adjetivos podem sofrer silepse de gênero.
  • Silepse de número: Ocorre quando há discordância entre os números gramaticais singular e plural. Quando um sujeito no singular indica uma ideia de coletivo, muitas vezes se opta por colocar o verbo no plural.
  • Silepse de pessoa: Ocorre quando há discordância entre o sujeito da frase e a conjugação do verbo. Geralmente acontece porque o autor da frase se inclui entre os sujeitos.

Exemplos de silepse:

  • “Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins públicos.” (Machado de Assis): esperava-se que o verbo viesse na terceira pessoa do plural (“os cariocas são”), mas o autor optou pela primeira pessoa do singular porque ele também se inclui entre os cariocas. É uma silepse de pessoa.
  • “Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove” (Olavo Bilac): esperava-se o uso do artigo “o” junto do nome “ouro preto”, mas é usado o artigo “a” por se pensar na ideia de “a cidade de Ouro Preto”. É uma silepse de gênero.
  • “Corria gente de todos os lados, e gritavam” (Mário Barreto): esperava-se que o verbo viesse no singular, concordando com o sujeito “gente”, mas optou-se por colocar o verbo no plural combinando com a ideia de multidão que a palavra “gente” gera. É uma silepse de número.
  • “Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito” (Guimarães Rosa): esperava-se que o adjetivo novo estivesse no feminino, concordando com “gente”. Mas ele fica no gênero masculino porque o autor, um homem, se inclui no conceito de “gente”. É uma silepse de gênero.
  • Os Sertões conta a história da Guerra de Canudos: esperava-se que o verbo viesse no plural, concordando com o sujeito no plural. Entretanto, o verbo vem no singular por concordar com a ideia de “obra” ou “livro”. É uma silepse de número.

Estas são figuras de linguagem muito utilizadas. Saber como usá-las de maneira correta, enriquece muito seu texto, deixando-o mais coeso e coerente. Continue praticando, para que sua escrita evolua sempre!

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