Neologismo na língua portuguesa

Na postagem de hoje, falaremos um pouco sobre a influência de outros idiomas na Língua Portuguesa.

Desde letras emprestadas a palavras inteiras, que usamos até com certa frequência, mas não percebemos porque já fazem parte do nosso vocabulário corriqueiro, a Língua Portuguesa é pincelada por outras linguagens.

Vamos exemplificar algumas delas: as palavras, suas origens, seus usos gerais e, se for o caso, as alterações de sentido na nossa língua materna.

O que é o neologismo?

Há várias definições a respeito desse fenômeno, a maioria consistindo no uso de palavras novas ou derivadas de outras.

O neologismo pode estar presente também na aplicação de novos significados a palavras já existentes, ou ainda na criação de uma palavra ou expressão nova.

Ele pode resultar de um comportamento espontâneo, não planejado do ser humano (nas conversações diárias) e da linguagem, ou virtual (chats pela Internet).

Pode também ter finalidade apenas comunicativa, como quando o orador quer dizer algo, mas não encontra a palavra e expressão. Pode ainda ter teor pejorativo, por exemplo, palavrões, gírias (nem sempre ofensivas) e ironias.

Por estar presente nos dicionários, é oficialmente parte do léxico da Língua Portuguesa; existe. É frequente na rotina dos falantes, pois a língua se adequa ao uso feito pela comunidade.

Comumente, é gerado dos processos de formação de palavras já existentes na Língua. Basicamente são dois, o processo de derivação e o de composição, que se dividem em subgrupos específicos.

wifi

O termo “wi-fi” é um ótimo exemplo de um neologismo recente.

Os processos de formação de palavras

Na derivação, uma palavra primitiva ganha um morfema que muda o seu sentido.

Na composição, duas ou mais palavras são unidas para formar uma nova, chamada de palavra composta por ter dois radicais distintos.

Já discutimos mais profundamente sobre a estrutura das palavras, bem como seus processos de formação anteriormente. Além disso, aprofundamos nosso estudo em relação aos tipos de sujeitos existentes em uma oração.

Quais são as classificações do neologismo?

Os estudiosos da área classificam esse fenômeno de três formas diferentes:

– neologismo semântico: no qual a palavra já existe na língua e, no entanto, ganha um novo significado.

Ex.: Sua irmã não estava fazendo um “bico” de revisora?

– neologismo lexical: uma nova palavra com um novo significado é criada;

Ex.: “Deletar” (apagar)

– neologismo sintático: gerado pela organização de um novo vocábulo a partir de elementos já existentes na língua de origem.

Ex.: “Infralegal”

Usos práticos do neologismo

No dia-a-dia, a comunicação precisa fluir. Respondemos quase imediatamente após ouvirmos a pergunta.

Diálogos são estabelecidos a todo momento sobre todo assunto imaginável. Conversas pessoais, profissionais, online, discussões. Cada uma delas tem suas características específicas que garantem a fluidez e o entendimento.

Para que haja a compreensão, é necessário que todos conheçam o mesmo vocabulário. Por mais que bilíngues e poliglotas convivam entre si, na rua e no trabalho, pelo menos uma língua em comum deve existir.

E para torná-la mais prática, às vezes acabamos inventando algumas palavras e expressões para mostrar o que queremos dizer, pois nem sempre conseguimos com a linguagem que possuímos.

Como dito acima, a língua é viva e pode sofrer alterações com o tempo. Por isso, incorporar novos termos e estabelecer novos significados são atividades frequentes na interlocução.

Por exemplo…

O verbo “implementar”, que significa instalar, implantar, incluir, por exemplo, gerou o substantivo “implementação”.

Como já citado, outro verbo, o “deletar”, quer dizer apagar e é usado principalmente em noções de informática. Não existia no português brasileiro, mas a tecla “Delete” do teclado de computadores e celulares não foi substituída por “Apague”, então acabamos adotando essa noção.

“Printar” também é da Língua Inglesa e significa tirar uma foto da tela para exibição. Há uma tecla chamada “Print Screen” para essa função que, traduzida literalmente, se torna “Imprimir tela”.

O substantivo “plugado” refere-se a alguém entendido do assunto em questão ou que está sempre conectado à Internet.

A palavra “Namorido” é a junção de namorado e marido e se refere ao companheiro romântico que se mudou para a casa da (o) parceira (o) sem o matrimônio oficializado.

“Abobado” é alguém bobo, sonso, ingênuo.

“Soutien”, traduzida como “sutiã” em nosso idioma, é de origem francesa, assim como “abajour”, que perdeu o “o”.

Por outro lado, também encontramos palavras na própria Língua Portuguesa que foram resultados de neologismos, como “Biologia”.

O neologismo também cria abreviações para palavras usadas corriqueiramente. Refrigerante, por exemplo, virou “refri”.

A Internet é a maior criadora e inovadora das formas de comunicação, gerando até mesmo um  novo idioma: o internetês. Essa linguagem consiste na mudança da norma culta, abreviando as palavras, por vezes removendo cedilhas e acento, e tem um objetivo: agilidade.

Para que as mensagens sejam digitadas, entregues, recebidas e respondidas mais rapidamente, palavras e frases são encurtadas, mas não perdem seu sentido.

– Ex.: O q vc vai fz amanha?

Tudo para economizar o tempo de digitar as palavras inteiras.

Abaixo, segue um poema do brasileiro Manuel Bandeira, exemplificando o uso prático desse acontecimento e testemunhando sua existência:

“Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras que traduzem a ternura mais funda. E mais cotidiana. Inventei, por exemplo, o verbo ‘teadorar’.”

As gírias, como citado no começo do texto, são parte da linguagem e servem, principalmente, para identificar um grupo e distingui-lo dos demais. Podem servir para criar segredos, piadas e são palavras geralmente aplicadas fora do seu sentido normal, do dicionário; conotativamente.

Importante lembrar: a gíria é passageira. Ao ser inutilizada, a mensagem não é mais compreensível pelos envolvidos na conversa; então, deve ser evitada em textos formais, pois pode comprometer a clareza.

Esse foi mais um tema gramatical que discorremos para que você continue aprimorando a sua escrita. Vale dar uma olhada também nos discutidos anteriormente, como as colocações pronominais, aposto, vocativo, próclise, ênclise e mesóclise, e as metarregras de repetição, de progressão e de coerência.Já discutimos também sobre as figuras de linguagem onomatopeia, polissemia e as figuras sintáticas ou de construção.

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