Qual a diferença entre hipertexto e intertextualidade?

Este post trata de hipertexto e intertextualidade. Embora muito parecidos, os dois fenômenos apresentam características distintas.

Os dois tipos de texto conversam com outros textos como forma de acrescentar elementos úteis ao tema tratado. A diferença básica entre eles é a forma como as informações de fora são colocadas.

No hipertexto, isso se dá por meio de links, ou conexões, que levam o leitor diretamente a outros conteúdos. Já na intertextualidade, as referências estão no corpo do texto, ou seja, não necessitam de pontes. Além disso, elas podem tanto estar explícitas como somente sugeridas.

Esta maneira indireta exige que o autor e o leitor compartilhem de alguns conhecimentos prévios para que a comunicação se dê de forma satisfatória.

Vejamos, agora, algumas das características principais de cada um deles.

Hipertexto

O hipertexto é uma forma de apresentação textual em que alguns elementos são destacados, seja uma palavra dentro do texto ou mesmo uma imagem.

Tais elementos podem ser acionados, por meio de um link que pode ser clicado com o mouse, levando o leitor a outro conteúdo relacionado ao primeiro.

O hipertexto é bastante característico da internet, mas não surgiu junto com ela. Para alguns autores, o hipertexto ocorre somente no ambiente virtual, ou seja, a internet seria o seu hábitat natural, uma vez que ela se baseia nos links.

Mas, para outros pesquisadores, a lógica hipertextual pode ser aplicada em outros formatos. Ela pode acontecer também no papel se nele houver outras possibilidades de leitura além da tradicional, que é linear e tem começo, meio e fim.

hipertexto

Na imagem à esquerda, está exemplificado o texto tradicional, que segue uma lógica linear. Na imagem à direita, vemos uma estrutura do hipertexto em que as conexões se dão de maneira aleatória, conforme o interesse do leitor.

Um exemplo disso são as anotações de leitores em livros, ou mesmo as notas de rodapé dos autores e editores. Elas permitem uma leitura não linear, agregando informações ao texto principal.

Dicionários e enciclopédias também se estruturam em hipertextos, uma vez que indicam outros verbetes para complementar a pesquisa do leitor.

Enfim, o hipertexto em sua forma mais conhecida se refere a um texto em formato digital ao qual estão conectados outros conteúdos, de qualquer tipo, por meio de hiperlinks.

Os hiperlinks geralmente são conhecidos apenas como links e significam, justamente, conexões em inglês. Os links são apresentados na forma de termos destacados no texto principal, ícones gráficos ou imagens.

Eles funcionam conectando diferentes conjuntos de informação. Tais conjuntos podem ter variados suportes como textos, palavras, imagens ou sons.

Por meio deles, o autor de um texto oferece ao leitor, que pode aceitar ou não, mais possibilidades de leitura e de aprofundamento no tema. Os conteúdos, em geral, são complementares ao texto principal ou apenas funcionam como uma nota que explica termos ou conceitos muito específicos.

Vale ressaltar que já tratamos sobre outros assuntos relacionados ao ato de escrever, como os diferentes gêneros textuais, algumas dicas para escrever melhor, além de como escrever um livro.

O hipertexto promove a interação do leitor, já que ele pode escolher dentre várias possibilidades a partir de um texto inicial. Assim, ele seleciona os links que lhe interessam, construindo uma trama de informações particular. Ele escolhe por onde quer começar e por onde vai passar durante sua leitura.

Isso dá bastante liberdade ao leitor. Além disso, é uma forma de organização muito parecida ao pensamento humano. O conhecimento em nosso cérebro é processado por meio de associações, referências e relações entre informações variadas e nos mais diversos formatos, como imagens, sons, palavras e até mesmo cheiros.

O cérebro, bem como o hipertexto, entrelaça fontes distintas de informação para construir o conhecimento. Por fim, o hipertexto é uma ligação que facilita a navegação dos usuários da internet.

Intertextualidade

A intertextualidade é a criação de um texto a partir de outro já existente. Estamos considerando aqui todo tipo de mensagem como um texto, podendo mesmo uma mensagem visual ser um texto.

Ou seja, um texto faz referência a outro, é influenciado por outro, seja em sua forma ou em seu conteúdo. Tais influências e referências podem ser de outras obras do mesmo autor ou de outros autores.

A intertextualidade se relaciona diretamente com o conhecimento de mundo, ou seja, com os referenciais culturais dos autores e leitores.

hipertexto 2

O desenho em questão é do seriado Os Simpsons e utiliza a intertextualidade ao fazer referência a uma famosa foto de capa do CD Abbey Road, da banda The Beatles. Os personagens estão vestidos exatamente como os músicos e na mesma posição.

Tal conhecimento é convocado por sinais nem sempre diretos que remetem às outras obras. Isso acontece tanto em textos literários como na publicidade e na cultura pop.

Há diversos tipos de intertextualidade. A epígrafe é uma delas e se caracteriza por ser um texto inicial que introduz a obra propriamente dita. Muitas vezes, é usada uma forma poética para isso.

Outro tipo é a citação, que é a transcrição literal de uma passagem de outro autor que tem relação com o tema que está sendo tratado.

Geralmente está marcada por aspas e vem junto com uma identificação de seu autor.

A paráfrase é utilizada quando um texto é trazido de maneira não literal. Ou seja, o autor reescreve uma passagem de outro autor, mantendo o seu sentido.

A paráfrase pode ser usada para explicar melhor uma ideia que está um pouco obscura no original ou para ressaltar algum detalhe que o autor considere relevante.

A paródia é outra estratégia intertextual. Em geral, a concepção inicial é reescrita com a intenção de criticá-la ou mesmo para causar o riso dos leitores.

A tradução também pode ser considerada uma representação da intertextualidade. Acontece quando um texto é reescrito em outra língua que não a do original.

Também identificamos a referência ou alusão. Essa maneira de usar outros textos para compor um novo não é direta, ou seja, a referência é somente insinuada e não explícita.

São diversos os modos de trabalhar com a intertextualidade, de acordo com a criatividade, as preferências e o conhecimento de mundo do autor.

Percebemos, portanto, que a intertextualidade e os hipertextos estão presentes em muitos dos discursos presentes no nosso cotidiano.

Tais fenômenos enriquecem os textos que consumimos e produzimos, já que conjugam diferentes informações e referências para dar conta de explicar o mundo em que vivemos.

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